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SUSPENÇÃO CNH

http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/rodas/2017/05/1881577-reaver-habilitacao-suspensa-demanda-curso-prova-e-meses-longe-do-volante.shtml

Reaver habilitação suspensa demanda curso, prova e meses longe do volante

KARINA CRAVEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP.
07/05/2017 01h59

Bruno Santos/Folhapress
O analista de TI Vinicius Medeiros em seu carro, em SP
O analista de TI Vinicius Medeiros, que perdeu a permissão para dirigir por 12 meses, em seu carro, em SP

Por 12 meses, o analista de TI Vinicius Alves de Medeiros, 28, deixou seu Honda City de lado: sua CNH (carteira nacional de habilitação) foi suspensa. Ele diz que nunca havia sido multado até ser pego em uma blitz da Lei Seca, na zona oeste de São Paulo.

Ao ser flagrado dirigindo alcoolizado, Medeiros juntou-se aos 423 mil motoristas que perderam o direito de dirigir no ano passado.

“O número de suspensões aumentou 13% na comparação de 2016 com 2015, e a explicação mais provável para isso é o aumento da fiscalização por todos os órgãos de trânsito”, afirma o diretor-presidente do Detran-SP, Maxwell Vieira.

A suspensão ocorre quando o motorista soma ou extrapola 20 pontos na CNH em um período de 12 meses, ou comete uma única infração como dirigir embriagado, ou ultrapassar em 50% a velocidade máxima permitida.
A notificação vem por carta. Após recebê-la, o condutor tem até 30 dias para apresentar defesa. Se o pedido for indeferido, são mais 30 dias para recorrer à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) ou ao Centran (Conselho Estadual de Trânsito).

Por ser flagrado dirigindo após beber, Medeiros passou por um processo administrativo e pagou multa de R$ 1.915 à época -atualmente, o valor é de R$ 2.934,70. Ele entregou sua carta ao Detran-SP e cumpriu a penalidade. Depois de os 12 meses distante do volante, recebeu sua habilitação de volta em janeiro.

“Tinha bebido dois copos de cerveja naquela noite, mas acredito que tirei proveito do problema. Comecei a fazer caminhadas, peguei resistência e comecei a correr”, diz Medeiros, que já concluiu uma meia-maratona.
O aposentado Edison Barsanti, 77, também acaba de recuperar sua CNH. É a terceira vez que ele tem o documento suspenso por multas acumuladas -todas por excesso de velocidade, afirma.

Ele diz que circula com muita frequência por rodovias e nem sempre se lembra de reduzir a velocidade ao passar por um trecho urbano, com limites mais baixos.

“Pago por minha desatenção, tenho de me condicionar ao trânsito. Talvez a solução seja usar um GPS com aviso sonoro”, diz Barsanti, que deixou de guiar por seis meses na última suspensão.

Todo motorista que tem a habilitação suspensa ou cassada é obrigado a entregar o documento ao Detran. Além de cumprir o afastamento, ele precisa fazer um curso de reciclagem, com carga de 30 horas. “É um processo educacional, que visa levar o motorista a rever seus conhecimentos e mudar a postura no trânsito”, afirma Vieira.

As aulas podem ser feitas nas autoescolas na modalidade a distância ou presencial. Há noções de legislação de trânsito, direção defensiva, primeiros socorros e relacionamento interpessoal.

Na capital, os preços do curso de reciclagem variam de R$ 200 a R$ 300.

Medeiros diz que o processo é simples. Ele ligou para um Centro de Formação de Condutores e fez a opção online, mas a prova foi presencial. Depois de aprovado, retirou o certificado e o levou ao Detran no dia agendado para recuperar a carteira.

Se ao término da suspensão a carta estiver fora da validade, o motorista terá de pagar as tarifas da renovação: R$ 82,73 pelo exame médico e R$ 41,37 da taxa de emissão cobrada no Detran-SP.

Se um condutor que está com a carteira suspensa for flagrado dirigindo, ele terá a habilitação cassada por dois anos. Após esse prazo, é possível solicitar uma nova.

Além do curso de reciclagem, esse motorista tem de fazer exames médico e psicotécnico e também provas teórica e prática. Os custos ficam em cerca de R$ 250.

Crime de repasse de pontos é investigado

Anúncios de empresas que prometem reverter uma suspensão atraem motoristas Brasil afora. Em geral, são despachantes que se oferecem para intermediar o processo de recuperação.

A reportagem entrou em contato com alguns desses prestadores de serviço. Os valores cobrados oscilaram de R$ 1.000 a R$ 3.000, com orçamentos passados por telefone ou redes sociais.

“Não há a possibilidade de sumir com pontuação. Muitas empresas utilizam esse mote para atrair clientes, mas o que elas vão fazer é apresentar recurso contra o processo de suspensão”, diz diretor-presidente do Detran-SP, Maxwell Vieira.

O próprio condutor pode recorrer de uma multa. Isso é feito no portal do Detran (detran.sp.gov.br), sem custos. O que não se deve fazer é transferir de pontos para se livrar de uma pena.

“Repassar pontos para alguém que não é o real condutor constitui crime de falsidade ideológica. O Detran tem uma divisão que apura esse tipo de fraude e repassa o caso aos órgãos responsáveis”, afirma Vieira.

SEU CÉREBRO TAMBÉM PRECISA DE GINÁSTICA

FOLHA DE SÃO PAULO -BONDE – Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

Fique mais esperto
Seu cérebro também precisa fazer musculação
Estudos sugerem que exercitar o cérebro é tão importante quanto praticar atividades físicas

Estimular o cérebro com frequência é um ótimo hábito para desenvolver suas habilidades. Segundo neurologistas, o órgão melhora com a prática e exercitá-lo nos torna mais inteligentes.

“Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. As que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente”, explica a neurocientista Alessandra Gorgulho.

Assim como é preciso praticar atividades físicas para manter a saúde, é necessário exercitar o cérebro para manter a saúde mental, defendem alguns especialistas. “Podemos entender que uma pessoa que tem saúde alimenta bem o corpo e o cérebro da mesma forma. [Entendemos] Que é importante praticar exercícios físicos e é importante manter o cérebro ativo até o final do nossa vida”, explica Leo Fraiman, psicoterapeuta e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano.

“Quando você desenvolve o raciocínio, existe uma série de áreas do cérebro que são ativadas [como memória, estruturação lógica, operações mentais]. Uma vez que você desenvolve essas regiões do cérebro ligadas às essas atividades, você precisa praticar senão fica enferrujado”, acrescenta Claudio Franco, engenheiro e diretor de inovações da Mind lab, empresa focada em tecnologias educacionais.

Franco lembra que por muitos anos acreditou-se que as conexões cerebrais não podiam ser ampliadas depois da vida adulta. Porém, neurocientistas foram desconstruindo essa afirmação com o passar do tempo. “Mais importante do que a prática [de exercícios que mantenham o cérebro ativo], é fundamental explorar a capacidade de ampliar as conexões cerebrais.”

Para isso, os entrevistados acreditam que o uso de recursos digitais podem ser benéficos dentro do processo. “Sem dúvida as tecnologias e aplicativos que hoje existem podem ajudar”, diz Fraiman. “Tem alguns tipos de jogos [digitais] e atividades eletrônicas que promovem reflexão, estimulam a tomada de decisão e permitem desenvolver habilidades diversas. Por isso são importantes”, acrescenta Franco.

Apesar das vantagens, o psicoterapeuta faz um alerta: “A tecnologia deve ser usada com parcimônia. O uso exacerbado pode justamente impedir o ser humano de desenvolver outras habilidades, como o carisma, entusiasmo.”

Fraiman reforça que não há neurologicamente uma área do cérebro mais importante. Todas têm o seu devido valor. “É importante desenvolver o cérebro como um todo. O mais importante é deixar claro que não há uma fórmula, uma receita, um único modo para estimular o cérebro. Cada um tem que achar o quanto de exercício, alimentação, estímulos são necessários para si”, afirma o especialista.
(com informações do site UOL)

TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE O DINHEIRO DO FGTS INATIVO

http://noticias.band.uol.com.br/economia/noticia/100000843562/tire-suas-duvidas-sobre-o-saque-do-fgts-inativo-em-2017

Band.com.br – 03/02/2017
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017 – 18h13 Atualizado em sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017 – 18h13

Tire suas dúvidas sobre o saque do FGTS inativo

Calendário para o saque será divulgado na primeira quinzena de fevereiro

Dica é retirar o benefício e realizar investimento no tesouro direto ou em fundos de renda fixa / USP Imagens
Dica é retirar o benefício e realizar investimento no tesouro direto ou em fundos de renda fixa

Desde que o governo anunciou que irá autorizar o saque de todas as contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em de dezembro do ano passado, muito tem se especulado sobre o assunto e diversas informações incorretas têm circulado por aí.

A definição de como serão feitos os saques deve ser divulgada, de acordo com a assessoria da Caixa Econômica Federal, até o fim da primeira quinzena de fevereiro, mas já é possível esclarecer algumas dúvidas.

Confira as respostas às principais delas:

1) O que é uma conta inativa no FGTS?

Cada vez que o trabalhador inicia um contrato de trabalho, uma nova conta do FGTS se inicia. Todo mês, trabalhador e empregador depositam um valor nesta conta. Quando o contrato de trabalho se encerra, a conta se torna inativa, já que não há mais depósitos. Caso o saque não seja feito ao final do contrato, a conta inativa fica rendendo juros de 3% ao ano + Taxa Referencial. Contas do FGTS referentes a contratos de trabalho vigentes não são consideradas inativas.

2) Quem tem direito ao saque?

O cidadão que trabalhou até 31 de dezembro de 2015 e não pode sacar o FGTS ao sair do emprego, o que acontece nos casos de pedido demissão ou demissão por justa causa, tem direito ao saque. Contas que estavam ativas em 31 de dezembro de 2015 e contas ativas não terão o saque do FGTS permitidos neste ano.

3) Haverá um limite para o saque do FGTS inativo?

Poderão ser sacados os valores de todas as contas inativas datadas até 31 de dezembro de 2015 e não haverá limite para saques. Os pagamentos vão ser feitos em calendário estipulado pela Caixa Econômica Federal, provavelmente de acordo com a data de nascimento dos beneficiários.

4) Como consultar o saldo das contas inativas?

Para ter acesso é preciso ter em mãos o número do NIS/PIS, título de eleitor e documentos de identidade. Tendo esses dados, basta escolher um dos canais de consulta abaixo:

Aplicativo – O primeiro passo é baixar o aplicativo na plataforma correspondente ao seu smartphone (Play Store, Apple Store, Microsoft Store). Depois, insira o número do seu NIS para cadastrar uma senha. Em seguida, é preciso confirmar ou atualizar o seu endereço residencial.

Site – Acesse o site da Caixa Econômica e clique, na área superior, na aba Benefícios e Programas e, depois, em FGTS. Em seguida, clique em Consulte seu FGTS. Assim como no aplicativo, você deverá cadastrar uma senha para o número do seu NIS.

SMS – Essa opção só é possível caso você já tenha cadastrado a senha para o acesso à internet. Então, basta pedir ao banco que envie as informações sobre o FGTS para o seu celular preenchendo os dados nesta página. Você também pode ir a uma agência para fazer a adesão ao serviço, que é gratuito.

Telefone – Também é possível consultar o saldo do FGTS através do número 0800 726 0207. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, e aos sábados, das 10h às 16h. O serviço aceita chamadas originadas de telefones fixos e celulares. Lembrando que é preciso ter em mãos o número do seu NIS/PIS, endereço e documentos para fazer a consulta.

Agências e lotéricas – Se preferir, você pode verificar o saldo em agências da Caixa Econômica Federal e em lotéricas. No caso das lotéricas, é preciso ter o Cartão do Cidadão. No caso das agências, é preciso o número do NIS/PIS, endereço e documentos em mãos.

5) Qual será o calendário de saques?

O calendário de saques será divulgado, de acordo com a Caixa, até o fim da primeira quinzena de fevereiro. A assessoria do banco afirmou que vai avisar os beneficiários cadastrados no serviço de SMS por meio de mensagem. Também será possível saber a programação por meio dos serviços telefônicos, de internet ou nas agências do banco.

6) Qual é o procedimento para sacar o FGTS inativo?

A Caixa Econômica afirmou ainda estar planejando o procedimento de saques. Mais informações serão divulgadas até o fim da primeira quinzena de fevereiro.

7) Vale a pena sacar o FGTS inativo?

A liberação de saque das contas inativas de FTGS foi uma medida do governo para ajudar as pessoas a “quitarem dívidas”. Porém, mesmo que a intenção não seja gastar o dinheiro, segundo o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Ellery, vale a pena fazer o saque.

“Hoje, o FGTS rende menos do que qualquer outro investimento, inclusive a poupança. Então se você tiver condições de sacar o dinheiro das contas inativas, faça isso. Se não tiver dívidas para pagar, procure um outro investimento que o seu banco ofereça”, aponta Ellery.

Para aplicações, ele recomenda, dependendo do valor, o investimento no tesouro direto ou em fundos de renda fixa.

PRÉ-IDOSOS REVERTEM ALTA DE PLANO DE SAÚDE

CLÁUDIA COLLUCCI FOLHA DE SÃO PAULO – 30/08/2016 02h07

Pré-idosos revertem reajuste de plano de saúde na Justiça de São Paulo

Altos reajustes nas mensalidades para quem tem a partir de 59 anos são a principal razão que leva idosos de São Paulo a processar planos de saúde. E as decisões judiciais têm sido majoritariamente favoráveis à revisão dos valores.

A constatação é de um estudo do Procon Paulistano, da prefeitura, que avaliou os 120 acórdãos julgados no primeiro semestre deste ano pelo Tribunal de Justiça —casos já na segunda instância.

Seis em cada dez ações (55%) de idosos contra os planos na capital tiveram como motivo reajustes abusivos pela faixa etária. E 93% de todos os processos tiveram decisões total ou parcialmente a favor dos consumidores.

Danilo Verpa/Folhapress
A secretária Claudete Vieira, 62, teve reajuste abusivo do plano de saúde
A secretária Claudete Vieira, 62, teve reajuste abusivo do plano de saúde

O Procon Paulistano diz que muitos planos têm praticado reajustes excessivos para quem tem 59 anos, às vezes acima do limite fixado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

O Estatuto do Idoso, que entrou em vigor em 2004, veta reajustes por mudança de faixa etária para pessoas com 60 anos ou mais, por julgá-la discriminatória. Antes dele, eram autorizados aumentos de até 500% entre a primeira (até 18 anos) e a última faixa etária (acima de 70 anos).

Uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de 2010 referendou a proibição, estendendo-a para contratos firmados antes de 2004.

Em acordo com os planos, a ANS estabeleceu que os reajustes seriam diluídos nas faixas etárias anteriores aos 60 anos, sendo que o valor da última (59 anos ou mais) não poderia ultrapassar seis vezes o da primeira (até 18 anos).

IDOSOS X PLANOS DE SAÚDE – Razões dos processos, em %*

“As pessoas já começam a ser prejudicadas um ano antes de se tornarem oficialmente idosas, justamente quando mais precisam de assistência”, afirma Ricardo Ferrari, diretor do Procon Paulistano.

Foi o caso da secretária Claudete Vieira, 62, que aos 59 anos viu o valor do plano ir de R$ 859 para R$ 1.623. Na Justiça, conseguiu reverter o aumento e hoje paga R$ 1.148. “Se não tivesse processado, já estaria mais de R$ 2.000. Tem que brigar”, diz ela.

A empresária Deisy Fleck foi surpreendida neste ano por dois reajustes: um por sinistralidade (21%) e outro por idade (76%). Além dela, o plano beneficia o marido, também com 59 anos, e a filha, de 11 anos. O valor saltou de R$ 4.500 para R$ 9.900.

Uma liminar derrubou o reajuste, e a mensalidade atualmente é de R$ 4.960.

“O plano é ainda caro, mas faço tratamento de um melanoma. Migrar para outro plano seria complicado por causa da doença pré existente.”

Mario Scheffer, professor da USP e pesquisador sobre saúde suplementar, diz que tem havido alta de ações judiciais entre “pré idosos”, pessoas acima de 50 anos.

“Os maiores aumentos têm ficado nas últimas faixas etárias. Eles se sobrepõem aos reajustes por sinistralidade, aplicados pelos planos de adesão. É um modelo insustentável para uma população que está envelhecendo.”

IDOSOS X PLANOS DE SAÚDE – Decisões da Justiça, em %*

Um estudo coordenado por Scheffer mostra que os idosos respondem por 30% das ações contra planos de saúde no Estado de São Paulo.

Em recente publicação da ANS, o valor das mensalidades na última faixa etária tem ficado, em média, 5,7 vezes maior que o da primeira. Ou seja, dentro do que está previsto na legislação.

De acordo com a advogada Renata Vilhena, no STJ há precedentes favoráveis aos planos de saúde, que consideram legítimo o reajuste na mudança de faixa etária, mas a maioria das decisões é favorável ao consumidor.

Em razão do aumento das demandas sobre esse assunto, em maio deste ano a Segunda Seção da Corte do STJ decidiu suspendeu todas as sentenças até criar um posicionamento único para as futuras decisões.

CORTES DE CUSTOS

Entidades que representam os planos de saúde dizem que os reajustes por mudança de faixa etária são feitos dentro de limites estabelecidos pela ANS, com diluição entre as faixas etárias mais jovens.

Segundo Solange Beatriz Mendes, presidente da Fenasaúde, estudos apontam que os idosos chegam a custar sete vezes mais do que os jovens em relação a itens como exames e internações.

Por isso, não seria possível estabelecer um aumento linear a todas as faixas etárias. “O idoso paga mais, mas ele não paga o custo da sua faixa etária, parte é paga pelos mais jovens. É o princípio do mutualismo. Se fosse um preço único para todos, os jovens não adeririam ao plano. Por que pagariam um valor alto se praticamente não vão usar?”

Ao mesmo tempo, afirma, se os mais jovens saem dos planos, o produto se torna ainda mais caro e mais pessoas seriam excluídas.

De acordo com Pedro Ramos, diretor da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), essa diluição do custo entre as faixas etárias tem prejudicado a adesão dos mais jovens.

Nos últimos 12 meses, segundo ele, grande parte dos 1,6 milhão de usuários que deixaram os planos de saúde é formada por jovens que perderam seus empregos.

No mesmo período, o setor teve adesão de mais de 100 mil idosos. “Não é possível que se tenha tudo, a conta não fecha. Se você enche o carrinho no mercado, tem que ter dinheiro para pagar.”

Para Ramos, a regra do Estatuto do Idoso que veta reajustes dos planos dos mais velhos tem que ser mudada. “Foi uma medida populista e impensada”, afirma.

Luiz Carneiro, superintendente do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), defende que sejam criadas outras faixas de preços por idade. “Após os 60 anos, não importa se o atendimento será para uma pessoa de 60 ou 80 anos, com doenças crônicas ou comorbidades. O custo da mensalidade do plano será o mesmo, corrigido anualmente conforme as cláusulas contratuais.”

Para ele, a preocupação deve ser a garantia de que os beneficiários tenham condições de continuar arcando com o plano e que os reajustes reflitam, com equilíbrio, o comportamento dos custos.

Os três defendem a necessidade de um novo modelo de atenção aos idosos, com foco na prevenção e promoção de saúde, como forma de conter os custos e melhorar a qualidade do atendimento.

Em razão do envelhecimento brasileiro, o total de internações de pessoas acima de 59 anos deve crescer 105% nos próximos 15 anos, segundo projeção do IESS.

ENTENDA A MUDANÇA

1. Como era
Havia 7 faixas etárias, e os planos podiam aplicar reajustes de até 6 vezes entre a primeira (0 a 17 anos) e a última (70 anos ou mais)

2. Mudança
Em 2004, o Estatuto do Idoso vetou aumento nos preços dos planos para pessoas de 60 anos ou mais, por considerar discriminação

3. Como ficou
Resolução da ANS manteve o reajuste de até 6 vezes, aumentou o número de faixas etárias e diluiu esse custo entre elas

4. Polêmica
Com aval da ANS, empresas passaram a fazer reajustes em planos de pessoas com quase 60 anos, que têm sido derrubados na Justiça

USO DE SEGURO NA JUSTIÇA

F. DE SÃO PAULO – 20/11/2016 02h59

Uso de seguro na Justiça cresce com a crise

O seguro-garantia para o setor público, um contrato que garante ao Estado que haverá um pagamento, cresceu 9% até setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O que motiva o aumento é o uso desse seguro na Justiça —uma empresa pode optar por entregar ao juiz uma apólice que garante desembolso em caso de condenação.

O seguro-garantia judicial representa 80% dos contratos para o setor público, diz Roque Melo, da FenSeg (federação do setor).

A Justiça passou a aceitar mais essa modalidade de seguro a partir de 2014, afirma Marcelo Annunziata, do Demarest. “Naquele ano a lei de execuções fiscais foi alterada e ele passou a ter o valor legal de uma fiança.”

Há fatores econômicos que impulsionam esse contrato. A alternativa tradicional é um depósito judicial em dinheiro, que imobiliza capital.

A outra opção é a fiança bancária. Há dificuldade para conseguir crédito, e o valor levantado para garantir pagamentos na Justiça constam como alavancagem.

As seguradoras, que viram outros negócios minguarem, passaram a oferecer esse produto com frequência. Na JLT, as garantias para obras de infraestrutura ficaram escassas.

A corretora passou então a negociar mais o seguro-garantia na Justiça tributária, cível e do trabalho.

“Nos litígios trabalhistas verificamos um aumento considerável pelo número de demissões”, afirma Stephanie Zalcman, diretora da JLT.

VALE QUASE COMO DINHEIRO – Evolução de seguro garantia*

Inadimplência deverá cair até metade de 2017, dizem analistas

A inadimplência de consumidores deverá diminuir só a partir de 2017, entre o segundo e terceiro trimestre, segundo o Serasa Experian.

Neste ano, a perspectiva é de estabilidade. “Devemos terminar 2016 com cerca de 59 milhões de devedores”, diz o economista Luiz Rabi.

A projeção da Boa Vista SCPC é que o índice “certamente tenha uma redução no primeiro semestre”, avalia o economista Flávio Calife.

Após um aumento de aproximadamente 7% ao longo de 2015, o número de devedores não teve fortes variações neste ano devido ao recuo do crédito e do consumo, afirma.

A situação das companhias, porém, é mais grave: com inadimplência ainda em alta, não há previsão de melhora, segundo os analistas.

“Metade das empresas estão inadimplentes”, diz Rabi.

A liberação de crédito também deverá evoluir, afirmam os analistas: em 2017, a alta deverá girar entre 6,5% e 7,5%, segundo o Igeoc, que reúne 16 empresas do setor.

Inadimplência de consumidores no Brasil – Número de devedores, em milhões

Novembro em Mercado Aberto

Encolher e crescer

Após um ano de redução das receitas, a Jamef, transportadora de pequenas encomendas, pretende retomar investimentos em 2017.

Um aporte de R$ 30 milhões está previsto para modernizar terminais logísticos e armazéns.

A queda no faturamento da empresa em 2016, na comparação com o ano passado, deve girar entre 12% e 15%, afirma o diretor-presidente Adriano Depentor.

“Enxugamos a estrutura e até abrimos mão de clientes. Foi um período sofrido, de muita incerteza, mas soubemos preservar o caixa”, ressalta.
A previsão para o ano que vem é crescer “um pouco acima da inflação.”

“Com a nossa reorganização, qualquer aumento de demanda já terá um efeito grande. Não precisaria nem chegar aos bons níveis de 2010 ou 2011.”

2.800 são os funcionários da Jamef

1.200 veículos compõem a frota

27 é o número de unidades da empresa

Nas praias de mar azul

A marca de óculos Chilli Beans prevê a abertura de 40 lojas no Caribe nos próximos cinco anos.

A companhia já assinou contrato com um parceiro local, que ficará responsável por comercializar franquias na região. Os próximos alvos são Argentina e Espanha.

Ao todo, 105 unidades deverão ser inauguradas no ano que vem, segundo a empresa. A projeção é encerrar 2016 com 755 lojas.

A maioria delas serão instaladas em cidades brasileiras com menos de 150 mil habitantes, não atendidas pela companhia até o final deste ano.

“São lojas menores, com investimento máximo do franqueado de R$ 160 mil”, afirma Eduardo Felix, gerente de expansão da Chilli Beans.

A empresa também pretende vender lentes próprias e aumentar a presença em multimarcas, segundo Felix.

Em 2017, a previsão é que o faturamento cresça 7%. Ao se considerar apenas unidades que já foram abertas, o número cai para 3%.

Inativo em desgaste

A perspectiva de remuneração dos brasileiros ao se aposentarem piorou nos últimos anos, aponta a consultoria Lockton.

Em 2003, uma pessoa de 30 anos que ganhava R$ 10 mil e pagava previdência privada receberia 42% do último salário ao parar de trabalhar. Hoje, esse valor seria 36% da última remuneração.

“O ideal é que fossem 75%, como recomendam pesquisas internacionais”, diz José Roberto Carreta, superintendente da Lockton.

BENEFÍCIO EM QUEDA – % do último salário como aposentadoria

Marco… A maior rede social da China, a Weibo, assinou uma parceria para que produtos à venda na plataforma estejam disponíveis no Brasil pelo Zimp, uma página de fidelização de clientes.

…Polo Bens ofertados no site daqui também passam a aparecer para os chineses. A logística do intercâmbio de bens fica por conta das próprias marcas.