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SUSPENÇÃO CNH

http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/rodas/2017/05/1881577-reaver-habilitacao-suspensa-demanda-curso-prova-e-meses-longe-do-volante.shtml

Reaver habilitação suspensa demanda curso, prova e meses longe do volante

KARINA CRAVEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SP.
07/05/2017 01h59

Bruno Santos/Folhapress
O analista de TI Vinicius Medeiros em seu carro, em SP
O analista de TI Vinicius Medeiros, que perdeu a permissão para dirigir por 12 meses, em seu carro, em SP

Por 12 meses, o analista de TI Vinicius Alves de Medeiros, 28, deixou seu Honda City de lado: sua CNH (carteira nacional de habilitação) foi suspensa. Ele diz que nunca havia sido multado até ser pego em uma blitz da Lei Seca, na zona oeste de São Paulo.

Ao ser flagrado dirigindo alcoolizado, Medeiros juntou-se aos 423 mil motoristas que perderam o direito de dirigir no ano passado.

“O número de suspensões aumentou 13% na comparação de 2016 com 2015, e a explicação mais provável para isso é o aumento da fiscalização por todos os órgãos de trânsito”, afirma o diretor-presidente do Detran-SP, Maxwell Vieira.

A suspensão ocorre quando o motorista soma ou extrapola 20 pontos na CNH em um período de 12 meses, ou comete uma única infração como dirigir embriagado, ou ultrapassar em 50% a velocidade máxima permitida.
A notificação vem por carta. Após recebê-la, o condutor tem até 30 dias para apresentar defesa. Se o pedido for indeferido, são mais 30 dias para recorrer à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) ou ao Centran (Conselho Estadual de Trânsito).

Por ser flagrado dirigindo após beber, Medeiros passou por um processo administrativo e pagou multa de R$ 1.915 à época -atualmente, o valor é de R$ 2.934,70. Ele entregou sua carta ao Detran-SP e cumpriu a penalidade. Depois de os 12 meses distante do volante, recebeu sua habilitação de volta em janeiro.

“Tinha bebido dois copos de cerveja naquela noite, mas acredito que tirei proveito do problema. Comecei a fazer caminhadas, peguei resistência e comecei a correr”, diz Medeiros, que já concluiu uma meia-maratona.
O aposentado Edison Barsanti, 77, também acaba de recuperar sua CNH. É a terceira vez que ele tem o documento suspenso por multas acumuladas -todas por excesso de velocidade, afirma.

Ele diz que circula com muita frequência por rodovias e nem sempre se lembra de reduzir a velocidade ao passar por um trecho urbano, com limites mais baixos.

“Pago por minha desatenção, tenho de me condicionar ao trânsito. Talvez a solução seja usar um GPS com aviso sonoro”, diz Barsanti, que deixou de guiar por seis meses na última suspensão.

Todo motorista que tem a habilitação suspensa ou cassada é obrigado a entregar o documento ao Detran. Além de cumprir o afastamento, ele precisa fazer um curso de reciclagem, com carga de 30 horas. “É um processo educacional, que visa levar o motorista a rever seus conhecimentos e mudar a postura no trânsito”, afirma Vieira.

As aulas podem ser feitas nas autoescolas na modalidade a distância ou presencial. Há noções de legislação de trânsito, direção defensiva, primeiros socorros e relacionamento interpessoal.

Na capital, os preços do curso de reciclagem variam de R$ 200 a R$ 300.

Medeiros diz que o processo é simples. Ele ligou para um Centro de Formação de Condutores e fez a opção online, mas a prova foi presencial. Depois de aprovado, retirou o certificado e o levou ao Detran no dia agendado para recuperar a carteira.

Se ao término da suspensão a carta estiver fora da validade, o motorista terá de pagar as tarifas da renovação: R$ 82,73 pelo exame médico e R$ 41,37 da taxa de emissão cobrada no Detran-SP.

Se um condutor que está com a carteira suspensa for flagrado dirigindo, ele terá a habilitação cassada por dois anos. Após esse prazo, é possível solicitar uma nova.

Além do curso de reciclagem, esse motorista tem de fazer exames médico e psicotécnico e também provas teórica e prática. Os custos ficam em cerca de R$ 250.

Crime de repasse de pontos é investigado

Anúncios de empresas que prometem reverter uma suspensão atraem motoristas Brasil afora. Em geral, são despachantes que se oferecem para intermediar o processo de recuperação.

A reportagem entrou em contato com alguns desses prestadores de serviço. Os valores cobrados oscilaram de R$ 1.000 a R$ 3.000, com orçamentos passados por telefone ou redes sociais.

“Não há a possibilidade de sumir com pontuação. Muitas empresas utilizam esse mote para atrair clientes, mas o que elas vão fazer é apresentar recurso contra o processo de suspensão”, diz diretor-presidente do Detran-SP, Maxwell Vieira.

O próprio condutor pode recorrer de uma multa. Isso é feito no portal do Detran (detran.sp.gov.br), sem custos. O que não se deve fazer é transferir de pontos para se livrar de uma pena.

“Repassar pontos para alguém que não é o real condutor constitui crime de falsidade ideológica. O Detran tem uma divisão que apura esse tipo de fraude e repassa o caso aos órgãos responsáveis”, afirma Vieira.

'DR' NA FIRMA É MELHOR JEITO DE GERIR CONFLITOS

http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2017/05/1883678-dr-na-firma-e-o-melhor-jeito-de-gerenciar-conflitos.shtml

‘DR’ na firma é o melhor jeito de gerenciar conflitos

ANNA RANGEL
FOLHA DE SÃO PAULO
14/05/2017 02h00

Danilo Verpa/Folhapress
SAO PAULO – SP – 10.05.2017 – Andreia Sangiovanni, Gerente de Compras e Facilities da Sodexo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress, CARREIRAS) ***EXCLUSIVO FOLHA***
A engenheira Andreia Sangiovanni na empresa onde trabalha, em Barueri

O conflito é um tabu dentro da maioria das empresas, onde a hierarquia rígida ainda tem papel fundamental nas relações entre os profissionais e deles com a chefia.

“Se a pessoa discorda do chefe, muitas vezes já é mal vista, mesmo que não haja um embate de interesses”, diz Ana Cristina Limongi-França, doutora em administração e professora da USP (Universidade de São Paulo).

Cerca de metade dos conflitos, porém, é de divergência do dia a dia e pode ser resolvida informalmente, aponta pesquisa da ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos), que ouviu 136 empresas em março de 2016.

Quando há disputa, em geral ela é ignorada até que tenha impacto sobre resultados da área ou vire assédio moral, afirma Limongi-França.

Choques, porém, fazem parte do jogo. “Não existe ambiente sem conflito. O profissional terá que aprender a defender suas opiniões e o gestor não pode deixar a discordância virar disputa de ego”, diz o psiquiatra Mario Louzã.

A pedagoga Neuza Chaves, 61, é consultora da área de RH e se especializou em intermediar desacordos na empresa em que trabalha.

“Gosto de trazer à tona os conflitos numa conversa, quando peço que cada um coloque riscos, ganhos e alternativas ao problema. Eles devem chegar a um acordo em vez de se submeter às decisões de forma passiva”, diz.

As teorias mais recentes de gestão de conflitos colocam esse embate como algo positivo, diz a doutora em administração e professora da USP Liliana Vasconcellos.

“Ajuda porque impulsiona melhorias e inovação, mas deve-se ter em mente que essa abordagem pressupõe ouvir o outro sem levar a opinião para o lado pessoal”, diz.

A abertura para criticar e apontar problemas só dá certo quando há confiança entre os funcionários, aponta o psicólogo Elton Moraes, da recrutadora Korn Ferry Hay Group. “Ao criar essa relação, o gestor deve alinhar as diferentes expectativas da equipe para que todos se sintam reconhecidos”, observa.

Às vezes, a falta de confiança pode vir dos próprios funcionários. O especialista em marketing Paulo Fernandes, 37, aprendeu a gerir conflitos quando foi boicotado pela equipe em seu primeiro cargo gerencial, há dez anos.

“Eles não me respeitavam por ser muito jovem, então, vi que se me tornasse gestor com foco na solução de embates poderia me destacar, já que não tinha experiência ou um currículo brilhante.”

Para aprender, o profissional deve equilibrar experiência prática e estudos sobre o tema, diz o psicólogo Josué Bressane, sócio da consultoria em RH Falconi Gente.

A engenheira Andreia Sangiovanni, 46, aproveita os cursos oferecidos pela Sodexo, onde trabalha, mas acredita que é fundamental aprender com o dia a dia.

“Tirei muitas lições de quando reformamos todo o mobiliário da empresa e muitos gerentes reclamaram. Tive que ouvir e entender o lado deles, mas explicar que deveriam se adaptar”, afirma.

Para Marc Burbridge, especialista em gestão de conflitos e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), o gestor deve se esforçar para manter a neutralidade ao mediar qualquer embate.

“Sem isenção e capacidade de negociação, esse profissional só conseguirá gerenciar problemas pequenos, e ignorará questões vitais para o andamento do trabalho.”

HORA DE FALAR
Atitudes que ajudam a solucionar os embates na empresa

O DEBATEDOR COLABORATIVO
Acomoda as necessidades do outro além das suas

– Dá as informações necessárias para entender a questão

– Preza pela troca de informações, sem pressa de rebater o interlocutor

– Busca conciliar interesses comuns da equipe

– Tem atitude calma e ponderada

– Aceita os resultados após análise e acordo de todas as partes

– Tem postura de conciliação ao ponderar sobre ideias muito diferentes

O DEBATEDOR COMPETITIVO
Tenta satisfazer seus próprios interesses

– Não fornece informações suficientes

– Quer provar que o interlocutor está errado

– Estimula a oposição entre os profissionais

– Tem atitude hostil e até agressiva

– Responde de forma negativa aos pedidos da outra parte

– Não aceita os resultados se eles não lhe beneficiam

– Usa poder e coerção para convencer os outros

38% dos gestores e executivos de RH afirmam haver conflitos frequentes dentro das empresas

52% desses conflitos são resolvidos com apoio da organização, em geral do departamento de RH

63% dos respondentes afirmam prezar por uma comunicação mais aberta entre chefe e subordinado

Fontes: Kenneth Thomas e Ralph Kilmann, consultores norte-americanos de RH e ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos)

ONDE APRENDER
Veja cursos de capacitação em São Paulo

NEGOCIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS
ONDE Insper, em São Paulo (www.insper.edu.br)
QUANTO R$ 5.400
DURAÇÃO 30 horas

MEDIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS ORGANIZACIONAIS
ONDE FGV, em São Paulo (www.pec.fgv.br)
QUANTO R$ 4.920
DURAÇÃO 60 horas

ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS
ONDE Senac, em São Paulo (www.sp.senac.br)
QUANTO R$ 401
DURAÇÃO 24 horas

NEGOCIAÇÃO: GESTÃO DE CONFLITOS
ONDE FIA, em São Paulo (www.fia.com.br)
QUANTO R$ 400
DURAÇÃO 16 horas